quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Muita calma nessa hora..!

Hoje eu estava disposta a estudar a imensidão de coisas que vejo diariamente na faculdade, mas cheguei em casa, já mais esquecida do ocorrido ENEM, porém quando a minha irmã chegou em casa chorando, vindo do Dentista, depois de um dia puxado na UECE. Fiquei revoltada, o motivo é o possível cancelamento da prova para os alunos Christianos! Então, passei a pensar na quantidade de pessoas prejudicadas com isso. Primeiro, não sabemos a origem das questões, pode ter sido mesmo fraude, a PF está encarregada de descobrir isso. Ruim são os alunos matriculados na instituição que não mais a frequentavam, isso é evidente em muitos que haviam passado em outras universidades e a cursavam, não tiveram contato com as questões; outros são os próprios alunos Christus que receberam os supostos cadernos e não olharam as questões, por simples falta de tempo; outros são os alunos amigos dos Christianos, que receberam também os cadernos e não vão fazer outras provas; muitos outros são os hipócritas de notas gritantemente baixas, que loucos pelo cancelamento da prova( "terei mais uma chance...iupiii!") fazem alarde para o cancelamento deste ENEM. Infelizmente, a minha aposta para a vez era a de que não teríamos mais problemas em relação a essas provas, doce engano, inocência demais. Conheço muitos alunos excelentes do Christus, sei a capacidade de muitos ali e fiquei muito triste pela maioria, que realmente não teve culpa, aliás, nenhum aluno ali teve culpa. Infelizmente, a isonomia defendida por muitos está longe de ser conseguida com o cancelamento de provas para alguns, visto que muitos outros alunos tiveram contato com os caderninhos de seus amigos, dos outros colégios; e muitos outros que receberam os cadernos e nem olharam. Estamos longe de obter respostas e soluções para mais um vacilo e incompetência do INEP em manter sigilo de suas questões. Acredito, mesmo, que as 14 questões deveriam ser anuladas, mas dizem que isso acaba com a isonomia; pergunto-me: "e os outros alunos que viram as questões e não estudavam no Christus?" Onde está a isonomia?? Infelizmente, mais uma vez, será sofrido, nobres amigos pré-vestibulandos, mas valerá a pena. Acreditem, mesmo com todas as dificuldades, mesmo com fraudes, injustiças, dará certo. Para vocês, alunos Christus, que são mesmo os mais prejudicados com essa história, que a maturidade suficiente possa abraçar a mente de quem critica, que vocês, se for realmente preciso refazer a prova, que a FAÇAM! O potencial do Colégio, mesmo com o erro gritante, se for mesmo confirmado, tem excelente possibilidade de obter êxito. Vocês são bons, garotos! Mostrem que são capazes e ponto! Quanto aos de notas baixas, não se preocupem, o TRI funciona mesmo, elas não melhorarão..estudem, meu povo, antes de criticar algo, sejam capazes de ser capazes!! Boa sorte a todos, nas próximas notícias que virão, aos Christianos em especial o abraço fraterno de uma ex-aluna Christus com orgulho. Os erros existem , e não somos nós os culpados por isso!!

P.S.: O mais triste e indignante são as críticas anti-nordestinas, isso só mostra a falta de ética, caráter e respeito por parte de muitos que desejam êxitos em provas tão humanitárias, éticas e sociais. Mas entendo a revolta de muitos, é triste mesmo, mas a culpa não é de nenhum dos pré-vestibulandos que tentaram ENEM, muito menos dos nordestinos. Sinto um extremo pesar pelos que pensam assim, falta ainda muito, meus caros, para vocês conseguirem êxito na vida; falta maturidade, vivência!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A História de Ben

Parte 1: Verde sem amarelo é azul.


Ben tem uma história interessante. Eu não contaria a história dele, mas ela incansavelmente povoa a minha mente, em perturbações lancinantes. Por onde começar?
Ben tem 17 anos, mora em Fiji, República de Fiji, cuja capital é Suva; ele passa a maior parte de seu tempo em casa, folheando livros enormes do acervo da biblioteca particular de seu pai, Phillipe, Sr. Phillipe para os nada próximos. Ben foi criado somente por seu pai, pois sua mãe falecera meses depois de ele nascer. A Sra. Phillipe, uma verdadeira Amélia, antes de morrer, deixou um caderno com anotações para Ben. Ele cresceu e nunca teve acesso às anotações, exceto uma noite, quando seu pai dormia, Ben, com 12 anos, abriu a gaveta secreta do Sr. Phillipe. Retangular, amassado nas pontas, como a maioria dos cadernos e dos livros que possuímos; então, a primeira página: "Para o meu amado e único anjo"- Sra. Phillipe. O menino guardou o caderno de volta na gaveta e, quase deslizando pelas paredes do corredor principal da casa dos Phillipe, chegou ao seu quarto. Nunca mais, desde aquele ano, Ben reabriu a gaveta. Numa manhã de outubro, por sorte, diria Ben, não era uma manhã de agosto- mês do desgosto - o jovem Ben dirigiu-se, como de costume, à Escola de Belas Artes de Fuji (EBAF). Sim, leitor atento, Ben era um artista, talvez dos mais notáveis e nada sensatos de seu tempo e, exatamente por isso, era por vezes confundido com os neuróticos e psicóticos de Fuji, que nada têm de diferente dos do Brasil, EUA, França. Coisas que se têm no mundo inteiro, é como o esconde-esconde brasileiro igual ao cache-cache francês. Isso, igual ao hide and seek inglês. Na definição de muitos psicanalistas modernos, o neurótico critica a realidade em que se insere, porém não a deixa; o psicótico cria outra realidade, a realidade dele, paralela a nossa, mas por vezes nitidamente perpendicular- "de perto ninguém é normal". O artista não, este sai completamente de sua realidade, mas constantemente retorna, porém nunca faz mesmo parte dela. Ben, jovem ainda e com uma carga artística de deixar babando qualquer aspirante a intelectual. O último quadro de Ben foi um balão, que ele denominou de Balão. Ele gostava de dizer o óbvio, e isso ficava constantemente na cabeça das pessoas, que imaginavam milhões de coisas, enquanto, na verdade, era tudo tão óbvio - "O óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar." O que dizer de Ben com isso? Que o que ele enxerga quase ninguém vê? Mas ele vê o mesmo que você. Ele fazia um jogo de pinturas durante horas, mas que no final parecia uma mistura rápida de uma cor com outra, era como se ele usasse o azul, o vermelho e o amarelo em sequência, precisamente com a quantidade calculada e no final tivéssemos o azul, vermelho e amarelo misturados, somente, entende? Ben era um artista. Era uma manhã de outubro, quando, já na EBAF, Ben conheceu Flora. Flora era uma jovem de 19 anos, magra, alta, de cabelos pretos e bem lisos, olhos vivos, bem brilhantes; ela costumava ir à EBAF observar a criação de um artista, que fique bem claro, a criação e não a própria criatura. Ela gostava do processo, de cada passo, dos milímetros nos desenhos, nas cores, nos atos, nas letras. Flora sempre desejou ver a criação de Ben, porém, sempre que chegava ao recanto fabuloso dos artistas, nunca encontrava o autor do óbvio; ele passava a maior parte do tempo em casa. Flora passou exatos 36 minutos esperando Ben fazer a mistura das cores. Ben, finalmente, mergulha o pincel no mundo azul e amarelo dos 36 minutos, verde. Ela, finalmente, via a criação de Ben. Ela se aproximou dele e disse: "O que você pintará agora? Um gramado bem verde?" Ben, surpreso, olha para ela e diz: "Não, um gramado azul e amarelo, ele é colorido, entende?" 
Flora diz: "Pode continuar, eu só quero observar você". Durante três horas seguidas, Ben fez um gramado enorme, e havia inclusive o aroma do verde que se sente em ambientes naturais; o quadro parecia tão real, que era possível se sentir que em breve apareceria alguém, bem atrás da grama alta não cortada por Ben. O terreno era para golfe de um lado, futebol do outro, piquenique no centro e gente em breve surgindo. Ele terminou, colocou o pincel dentro da tinta e perguntou à moça: "Qual o seu nome?"
Ela disse: "Flora".
Ben pegou o pincel, lavou, mergulhou na tinta azul e escreveu no quadro: FLORA. Ele disse: "Não é gramado o nome do quadro, porque eu sempre uso o óbvio. Verde sem amarelo é azul."